O mais recente conflito entre o Estado de Israel e o Hezbollah "Partido de Deus" teve início em Julho de 2006 depois de o braço armado do dito Partido após uma incursão no território de Israel ter assassinado 8 soldados israelitas e raptados dois.
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Apesar da minha condição de militar me levar a pensar como tal, como cidadão custa-me ver inocentes a "pagar as favas" só porque uns políticos "fanáticos", disfarçados de samaritanos, quererem levar um povo contra outro só porque não gostam dele.
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Para tal vou tentar não ser parcial e apenas descrever um pouco o que cada um representa neste "tabuleiro".
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Comecemos então por aquele que está considerado como o mais radical.

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O Hezbollah, ou Hizbollah, (que significa "Partido de Deus") é uma organização islâmica extremista libanesa e um partido político, que conta com um braço armado e um braço civil. Foi fundado em 1982 com o objectivo principal de combater a ocupação israelita no sul do Líbano.
Diferente de outros grupos que fazem terrorismo político por dinheiro, ou exércitos legais constituídos de profissionais pagos para defender os interesses de uma nação, a milícia de resistência Hezbollah, ao contrário, é integralmente formada de jovens, órfãos de pais que perderam a vida nos ataques de Israel em 1982 e 1986, o que supostamente dá sentido à expressão "Partido de Deus", ou seja, uma consequência natural. Actualmente há muitos sírios e iranianos que fazem parte das suas fileiras, tentando actos desesperados de terrorismo.
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Constitui-se num dos principais movimentos de combate à presença israelita no Oriente Médio e possui como objectivo declarado:
· “Cobrar a morte" dos seus ancestrais através do deslocamento integral do Estado de Israel e expulsão da sua população para outras regiões do planeta.
· Desenvolver uma série de actividades em cinco áreas: ajuda a familiares de "mártires" (recompensa financeira à família de homens-bomba), saúde, educação religiosa (xiita), reconstrução e agricultura.
Até ao actual conflito, era considerado como uma organização terrorista por muitos governos, mas é actualmente visto, apenas pelos seus simpatizantes, como um movimento de resistência árabe pela libertação do Oriente Médio. O mundo, sobretudo para quem só lê a imprensa ocidental, vê-os como uns terroristas sanguinários.
A posição é contrastante: O conselho da União Europeia inclui o oficial superior dos serviços de informações do Hezbollah Imad Fa' iz Mughniyah na sua lista de terroristas mais procurados. Sobre o movimento, considerado como um todo, o mesmo Conselho tem considerado, até ao momento, o Hezbollah como não fazendo parte das listas de movimentos terroristas, apesar dos vários pedidos por parte dos norte-americanos.
Alguns diplomatas europeus consideram que a última recusa em Março de 2005, de o inscrever na lista dos movimentos terroristas, era fundamentada pelo facto da União Europeia não desejar, neste período de instabilidade do Líbano, agravar a situação e, também porque seria desinteressante politicamente para a relação diplomática com países produtores de petróleo. Ao contrário do Conselho, o Parlamento Europeu adoptou em 10 de Março de 2005, uma resolução (por 473 votos a favor e 33 contra) com carácter declarativo e não vinculativo para os Estados-Membros que qualificam o Hezbollah como organização terrorista.
Por sua vez, a ONU não coloca o Hezbollah na sua lista de organizações terroristas mas, o Conselho de segurança desta Organização apela ao seu desarmamento.
O Hezbollah é ainda acusado de ter feito reféns Ocidentais nos anos 1980 e de ter assumido a responsabilidade pelos atentados terroristas em Buenos Aires por duas vezes (o último deles em 1994 na sede da AMIA - Associación Mutual Israelita Argentina).
Goza de uma certa popularidade no mundo árabe-muçulmano, por assumir a responsabilidade de levar Israel a deixar o sul do Líbano em Junho de 2000.

Reconhece o princípio do velayet-e-faqih, ou seja, a primazia do guia da revolução iraniana sobre a comunidade xiita.
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Vamos agora tentar conhecer um pouco de Israel...
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Israel (Hebraico: Medinat Yisra'el ou Árabe: Dawlat Israil) é um país situado no Oriente Médio fundado em 1948. É uma democracia parlamentar e o único Estado judaico existente no mundo.
O nome Israel (que em hebraico significa "aquele que luta com Deus" tem sua origem na passagem do Géneses, primeiro livro da Bíblia e da Torá
[1], na qual Jacob luta com um anjo e recebe deste o nome de Israel, após uma noite de luta corporal. Segundo as escrituras bíblicas, Israel é a terra prometida por Deus aos hebreus, o berço do Judaísmo no século XVII a.C.
A população de Israel é predominantemente judia com uma minoria árabe na sua maior parte muçulmana, embora também existam árabes cristãos e druzos
[2]. Embora seja política oficial a preservação de Israel como um Estado Judaico, há total liberdade religiosa.
Os judeus há aproximadamente 3.000 anos que consideram a Terra de Israel sua pátria — como a Terra Santa e a Terra Prometida. A Terra de Israel guarda um lugar especial na religião judaica, incluindo as ruínas do Primeiro e Segundo Templos. Uma série de Estados e reinados judaicos existiram ali por mais de mil anos até ao domínio dos babilónios - seguidos pelos persas, gregos, romanos, bizantinos e otomanos.
Foi nesta região que o Judaísmo e o Cristianismo, nasceram, milénios atrás, e onde, ainda hoje, se encontram muitos lugares de grande significância espiritual para Judaísmo, Cristianismo e Islão. Uma série de reinos e Estados judaicos existiram intermitentemente na região por mais de mil anos. Consta que foi o fracasso de uma Grande Revolta Judaica contra o Império Romano que resultou numa expulsão em massa dos Judeus da sua terra natal e amada capital, Jerusalém. Após esmagar a Revolta de Bar Korbah em 135, o Imperador Adriano renomeou a Provincia “Judaea” para Provincia Siria “Palaestina”, um nome grego derivado de Filisteia (em hebraico Pəléšeṯ) como tentativa de desligar os judeus de sua terra. A Mishná e o Talmud Yerushalmi (dois dos textos sagrados judaicos mais importantes) foram escritos na região neste período.
Os Muçulmanos conquistaram a região pela primeira vez em 638 DC da mão dos Bizantinos. A área foi controlada por diferentes estados muçulmanos ao longo dos séculos (à excepção do controle dos cristãos cruzados) até fazer parte do Império Otomano em 1517.

Em 1896, nasce o Sionismo. Este movimento liderado por Theodor Hertzl
[3] (1860-1904) defendia a criação de um Estado Nacional Judaico para garantir um lar nacional para os judeus, um povo historicamente perseguido. Sucessivas imigrações ocorreram à Palestina desde 1882 (primeira imigração russa), o que contribuiu para juntar a população judaica às já existentes na região. Após fundar e consolidar as instituições judaicas como universidades, institutos de tecnologia, kibutzes e outras, os judeus da região já apresentavam uma significativa autonomia.
Nessa época a Cisjordânia, (era o nome oficioso de uma região que se encontrava ainda sob administração britânica, anteriormente pertencente à Jordânia). Os Nativos de origem árabe, refugiados de outros países árabes e tribos nómadas de países vizinhos, na sua maioria muçulmanos, representavam outro grupo que reconhecia o seu Estado Nacional nesta região, também requerida pelos Jordanos.
Após sucessivas imigrações, as tensões entre árabes e judeus aumentaram. Em 1929, após informações, que segundo se sabe hoje seriam falsas, sobre o homicídio de dois árabes por judeus, os muçulmanos nativos massacraram 133 judeus e provocaram centenas de feridos. Em 1933, com a ascensão do Nazismo, o número de imigrantes judeus quase duplicou.
Em 1939, a administração britânica restringiu a imigração de judeus para o território, complicando ainda mais a situação das vítimas do holocausto nazi. Após fortes pressões internas e externas, estes abriram mão da jurisdição em 1947 tendo a Assembleia Geral da ONU aprovado o plano de partilha da Palestina - que previa um Estado judeu e outro árabe - respeitando as locações onde cada maioria populacional se encontrava (ver mapa).
Este plano foi imediatamente aceite por David Ben-Gurion (Ben-Gurion foi o líder de Israel durante a Guerra da Independência de Israel, tornando-se primeiro-ministro de Israel em 25 de Janeiro de 1948, cargo que ocuparia até 1963, apenas interrompido de 1953 a 1955.). A partir daí, diversos ataques organizados contra civis judeus montaram um cenário de guerra civil, sendo esta uma precursora da Guerra de Independência.

Em 14 de Maio de 1948 foi declarada a independência do Estado de Israel.
Logo após esta declaração, uma liga militar formada pela Síria, Líbano, Jordânia, Iraque e Egipto invadiram Israel por todos os lados da fronteira dando início à tão conhecida Guerra da Independência.
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Após a leitura deste pequeno texto, até porque existe muito mais informação sobre este assunto, tanto em enciclopédias on-line (
http://pt.wikipedia.org - grátis) como em enciclopédias em
hard-copy, deixo à consideração de quem quiser deixar a sua opinião (acusação ou defesa) dizendo quem acham ter razão neste conflito, que já dura há muitas gerações.
Informação de rodapé[1] Torá: (que significa instrução, apontamento, lei) é o nome dado aos cinco primeiros livros do Tanakh (também chamados de Hamisha Humshei Torah) - as cinco partes da Torá ou Chumash) e que constituem o texto central do judaísmo. Contém os relatos sobre a criação do mundo, da origem da humanidade, do pacto de Deus com Abraão e seus filhos, e a libertação dos filhos de Israel do Egipto e sua peregrinação de quarenta anos até a terra prometida. Inclui também os mandamentos e leis que teriam sido dadas a Moisés para o povo de Israel.
Chamado também de Lei de Moisés (Torat Moshe), hoje a maior parte dos estudiosos são unânimes em concordar que Moisés não é o autor do texto que possuímos, mas sim que se trate de uma compilação posterior. Por vezes o termo "Torá" é usado dentro do judaísmo rabínico para designar todo o escopo da tradição judaica, incluindo a Torá escrita, a Torá oral (ver também Talmud) e os ensinamentos rabínicos. O cristianismo baseado na tradução grega Septuaginta também conhece a Torá como Pentateuco, que constitui os cinco primeiros livros da Bíblia cristã.
As cinco partes que constituem a Torá são nomeadas de acordo com a primeira palavra de seu texto, e são assim chamadas:
בראשית, Bereshit - No príncipio ou Génesis
שמות, Shmot - Os nomes ou Êxodo
ויקרא, Vayqra - E chamou ou Levítico
במדבר, Bamidbar-No ermo ou Números
דברים, Devarim -Palavras ou Deuteronómio
[2] Os Drusos (em Árabe: duruzī , pl. durūz) são uma pequena comunidade religiosa autónoma que reside sobretudo no Líbano, Israel, Síria, Turquia e Jordânia (pequenas comunidades expatriadas existem ainda nos EUA, Canadá, América Latina, Austrália, e Europa). Eles usam a língua árabe e seguem um modelo social muito semelhante ao dos Árabes da região. Não são considerados muçulmanos pela maioria dos muçulmanos da região, apesar de alguns Drusos dizerem que a sua religião é islâmica. A maioria dos drusos considera-se árabe, apesar de alguns drusos israelitas não se considerarem como tal. Existem cerca de 1 milhão de drusos em todo o mundo, a maioria dos quais vivendo no Médio Oriente.
Os Drusos auto-intitulam-se Ahl al-Tawhīd "o povo do monoteísmo". A origem do nome Druso é debatida mas costuma ser ligada com Maomé al-Darazi, um antigo mensageiro da comunidade que é considerado um herético pelos Druzos hoje.
A religião desenvolveu-se a partir do Islão
Ismaelita, um movimento filosófico baseado no
califado fatimida, no século X, numa altura de uma particular riqueza cultural. A religião não tentou reformar o
Islão mas tentou criar um novo corpo religioso influenciado pela filosofia grega, a
gnose e o
cristianismo, entre outros. Os principais actores foram Tariq al-Hakīm, também conhecido como
al-Hakīm bi-Amr al-Lāh, o califa que clamou ser Deus, e
Hamza ibn-'Ali ibn-Ahmad, o principal líder do movimento. Foi Hamza que proclamou publicamente pela primeira vez que Hakīm era Deus. Hakīm foi oposto por muçulmanos ortodoxos por aquilo que eles consideraram como
apostasia. Ele foi desdenhado pela sua violência extrema, e minoria religiosas (tais como os cristãos) foram perseguidas por ele; em
1010, Hakīm destruiu a
Igreja do Santo Sepúlcro em
Jerusalém.
Porque os Drusos consideram Tariq al-Hakīm como a encarnação de Deus, foram perseguidos pelos muçulmanos ortodoxos, em especial depois da morte de Hakīm em
1021. Os drusos usaram então a
taqiyya ("dissimulação"), uma prática pela qual eles escondem as suas verdadeiras crenças e aceitam formalmente as crenças religiosas daqueles com quem vivem, mantendo a sua crença em segredo. Os Drusos acreditam que Hakīm desapareceu e irá regressar no final do tempo.
Os Drusos tiveram um papel importante na história do
Levante. Eles estavam espalhados pelo
Monte Líbano, que era conhecido como a montanha dos Drusos, e mais tarde na igualmente chamada
Jabal al-Durūz (Monte dos Drusos) na
Síria.
Os Drusos também tiveram um papel importante na
Guerra Civil Libanesa (1975-1990). Organizaram uma
milícia (provavelmente a milícia mais forte da Guerra no Líbano) sob o comando de
Walid Jumblatt, (filho de
Kamal Jumblatt), em oposição à milícia cristã
maronita falangista de
Bachir Gemayel. Eles estavam baseados na área do
monte Líbano (especialmente o
Shouf).
[3] Theodor Herzl (
2 de Maio de
1860 -
3 de Julho de
1904) foi um jornalista
judeu austríaco que se tornou fundador do moderno
Zionismo político. Seu nome em hebraico era Benjamin Ze'ev.