
Um grupo de comandos que realizava uma patrulha a pé, a oeste da cidade afegã de Kandahar, Afeganistão, sofreu ontem uma emboscada que provocou ferimentos ligeiros no primeiro-sargento Carlos Barry.
Segundo o Estado-Maior-General das Forças Armadas (EMGFA), o ataque ocorreu às 01.48 locais (04.48 em Portugal).
De acordo com fontes militares ouvidas pelo DN, o militar foi atingido na boca pelo estilhaço resultante do rebentamento de um projéctil lançado por um lança-granadas RPG7.
Carlos Alberto da Silva Barry - do mesmo curso do primeiro-sargento Roma Pereira, que morreu há cerca de ano e meio na explosão de uma bomba improvisada em Cabul, e onde também ficou gravemente ferido o primeiro-cabo Horácio Mourão - foi evacuado num helicóptero para o hospital de campanha de Kandahar, onde foi sujeito a uma pequena intervenção cirúrgica.

O militar ferido, que já falou com a família e com camaradas do quartel dos Comandos em Mafra, vai ter alta ainda hoje, informou uma das fontes.
O ministro da Defesa, Nuno Severiano Teixeira, reconheceu que o acidente constitui "um sinal de risco" da missão naquele país da Ásia do sul.
À margem de uma reunião com o seu homólogo italiano, em Oeiras, o governante observou ter-se tratado de "um incidente que não teve gravidade" - saldou-se em "dois dentes partidos".
"Todos temos que estar preparados e atentos porque os riscos existem", alertou o ministro, admitindo que em Kandahar "o risco existe".
"Os riscos são inerentes à função [militar]", acrescentou ainda Severiano Teixeira.
Os comandos estão desde o início do mês (e até meados de Junho) numa operação conjunta e restrita a tropas dos EUA, Reino Unido e Canadá - os quatro únicos países cujos soldados não têm quaisquer restrições de emprego operacional, o que faz desta operação a mais arriscada daquelas em que os militares portugueses já participaram, afirmaram ao DN fontes ligadas à missão.
O contingente português - formado alternadamente por companhias dos comandos e dos pára-quedistas - actua no Afeganistão, desde Maio de 2004, como reserva do comandante da Força da NATO (ISAF, sigla em inglês), o que implica actuar em qualquer parte do território afegão. Até aqui, as operações onde os portugueses participavam envolviam apenas a resposta em caso de ataque.
Mas a actual implica - sem que isso envolva qualquer mudança na sua missão - a detecção e captura dos inimigos talibãs, o que pressupõe medidas ofensivas que até agora não tinham sido atribuídas, garantiram algumas das fontes.



