sexta-feira, dezembro 15, 2006

O Dano




Fiz-te mal, minha alma,
dilacerei a tua alma.

Entende-me.
Todos sabem quem sou,
mas esse Sou
é além disso um homem
para ti.

Em ti vacilo, caio
e levanto-me a arder.
Tu tens, entre todos
os seres, o direito
a ver-me débil.
E a tua mão
de pão e de guitarra
deve tocar meu peito
quando parto para o combate.

Por isso busco em ti a pedra firme.
Ásperas mãos em teu sangue cravo
em busca da firmeza
e da fundura de que necessito,
e se apenas encontro
teu riso de metal, se nada acho
em que sustentar meus duros passos,
adorada, aceita
minha tristeza e minha cólera,
as minhas mãos inimigas
destruindo-te um pouco
para que te ergas da argila,
feita de novo para os meus combates.
Pablo Neruda

3 comentários:

Cleopatra disse...

Ò Manza!
Que idade tens tu???

M@nza disse...

Porquê?????

Cleopatra disse...

Então respondo como os jesuitas: - ESta foto é do Neruda e de quem mais???