
Deu-te a magnólia o tropical perfume,
O oiro ao teu cabelo deu-lhe a cor,
E o astro-rei com todo o seu fulgor
Não tem, como os teus olhos, tanto lume.
Deu-te a pureza o passarinho implume,
Um anjo sideral deu-te o pudor,
E nem um alvorada tal frescor
No cristalino orvalho em si resume.
Ofélia deu-te a edénica expressão,
O íman deu-te a mística atracção,
E a alma, excelsa e pura, deu-te o céu…
Uma coisa, porém, em ti não sentes;
Mas como sobra em mim, se tu consentes,
O amor – que não possuis – cedo-te eu…
(J. Alves dos Reis)
O oiro ao teu cabelo deu-lhe a cor,
E o astro-rei com todo o seu fulgor
Não tem, como os teus olhos, tanto lume.
Deu-te a pureza o passarinho implume,
Um anjo sideral deu-te o pudor,
E nem um alvorada tal frescor
No cristalino orvalho em si resume.
Ofélia deu-te a edénica expressão,
O íman deu-te a mística atracção,
E a alma, excelsa e pura, deu-te o céu…
Uma coisa, porém, em ti não sentes;
Mas como sobra em mim, se tu consentes,
O amor – que não possuis – cedo-te eu…
(J. Alves dos Reis)

1 comentário:
Tanto romantismo...
Por regra, gosto dos poemas que aqui publica, este não é excepção.
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